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Entrevista

com Greg
Entrevista retirada da Revista Rock Brigade 

 ROCK BRIGADE – A capa de Americana mostra uma criança deficiente com uma barata. A simbologia da ilustração é um retrato de como a banda vê a cultura americana contemporânea?
 GREG K – Sim. As pessoas tem uma idéia sobre o estereótipo do americano. Não é aquela coisa sorridente que se vê nos filmes. Essa ilustração mostra alguns dos elementos verdadeiros da cultura norte-americana. 

Você acha que a média da população americana parece fazer parte de um grande ‘freak show’?
 GREG K – Não sei se isso se aplicaria a média da população, mas, com certeza, a cultura americana em geral parece mesmo um grande ‘freak show’. Aquela imagem que o resto do mundo tem da América não é real. A família sorridente fazendo churrasco, tomando Coca-Cola e comendo torta de maçã não existe. São apenas estereótipos criados pela mídia. Assista um daqueles ‘talk shows’ sensacionalistas e você vai vê o que é a verdadeira América.

 Em linhas gerais, Americana seria uma forma de destruir a idéia de eldorado que o mundo tem dos EUA? 
 GREG K –Exatamente. Esse negócio de felicidade e diversão eternas não existe. A sociedade americana hoje está mais pra tablóide sensacionalista do que pra conto de fadas [risos].

 Em Smash e em Ixnay On The Hombre, as letras do Offspring eram mais iradas, mais revoltadas. Em Americana, a banda transparece certa melancolia, como se nada fosse mudar mesmo e a sociedade estivesse irremediavelmente podre. O Offspring perdeu as esperanças nas mudanças? 
 GREG K –[longa pausa] Que pergunta, hein?!? [risos] Nós costumávamos escrever sobre coisas que vivenciamos no trabalho, em nossos tempos de escola, nas ruas etc.

 De fato algumas músicas novas parecem meio depressivas, quase melancólicas. Infelizmente, é assim que nos sentimos atualmente. A faixa Feelings é a típica música baba de festinhas, com uma letra imbecil e superficial. Mas vocês regravaram em versão porrada, muito veloz, trocando a palavra ‘love’ por ‘kill’. A escolha dessa faixa como cover foi um ato sarcástico do Offspring?
 GREG K –
Sim, foi um pouco de sarcasmo mesmo. É bem legal você transformar uma balada de amor em uma música rápida e insana. 

A faixa Pretty Fly (For A White Guy) tornou-se um hit nas rádios rock brasileiras. Isso também está rolando em outros países?
 GREG K – Aqui nos EUA ela tem tocado muito nas rádios. Infelizmente, não tenho notícias se isso está acontecendo em outros países. Bem, pelo menos no Brasil agora eu sei que sim [risos]. Basicamente, é a história de um cara que se achava o máximo, mas não era porra nenhuma. A idéia que queremos passar é: não tente ser aquilo que você não é. Seja natural, seja você mesmo.

 Como Dexter Holland está administrando o tempo entre a banda e o selo que ele fundou, a Nitro Records? 
 GREG K –Não tem sido fácil. Dexter anda muito, muito ocupado ultimamente. Mas ele está se saindo bem.

 Vocês gravaram um cover dos Ramones (a ótima I Wanna Be Sedated) e regravaram a ótima Beheaded (do primeiro disco) para a trilha sonora do filme ‘Idle Hands’. A banda pretende relançá-los em forma de single ou EP?
 GREG K – Até agora, não existe nenhum plano nesse sentido. Mas podemos pensar em algo desse tipo para o futuro. Por enquanto, essas músicas só vão estar mesmo no filme.

 A música Why Don’t You Get A Job foi inspirada em um acontecimento verdadeiro. Conte-nos essa história.
 GREG K –
Esse caso rolou com o Dexter. Ele tinha uma namorada que vivia dizendo para ele arrumar um emprego decente. Resolvemos fazer a música em cima disso.

 O Offspring tocou no Brasil em 97 e deixou a melhor das impressões entre os fãs, fazendo um show altamente energético. Como foi o encontro com os fãs brasileiro?
 GREG K –
Os brasileiros são demais! Os fãs são muito entusiasmados e tornaram o show muito divertido para nós. Foi a primeira vez que fomos à América do Sul. Eu levei minha esposa e fizemos apenas alguns poucos passeios, mas no divertimos bastante. Fomos informados que a América do Sul está na agenda do Offspring para 99. 

Deve rolar mesmo esse show?
 GREG K – Eu não poderia dizer com 100% de certeza, mas soube que estão sendo feitos contatos para incluir Brasil e Argentina na turnê de 99. Portanto, as chances de voltarmos aí no meio do ano que vem são muito grandes. 

O público do Offspring no Brasil é bem heterogêneol, pois engloba punks, headbangers e a galera que curte pop. Isso também acontece com os fãs da banda em outros países? 
 GREG K –
Os fãs do Offspring pelo mundo afora são geralmente jovens entre 18 e 25 anos. Fora isso, cada local tem uma característica especial. Os sul-americanos, por exemplo, são mais empolgados, mais barulhentos. Na Europa, só os italianos e espanhóis são assim.

 Depois do sucesso do CD Smash, muita gente dizia que o Offspring era uma moda que desaparecia logo. No entanto, vocês continuam fortes e lançando discos como o ótimo Americana. Como a banda lida com essas criticas?
 GREG K
– Nós tocamos o que gostamos e o que tiver de acontecer, vai acontecer. Tentamos não ficar nos preocupando com as criticas ou com o que as pessoas dizem que estaremos fazendo daqui a três ou quatro anos. Nós compomos nossas músicas e lançamos os discos. Se eles forem um sucesso, ótimo; se não forem, paciência, pelo menos nós nos divertimos escrevendo e gravando as músicas. 

Depois de todos esses anos, vocês ainda vêem a si mesmos como nerds que se deram bem?
 GREG K –
Sim, sem dúvida. Sempre fomos os caras que ficam meio de lado na turma da escola.

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